Jornadas Brasil-Alemanha: Mega eventos esportivos – suas conseqüências e o redespertar da participação popular

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Às vésperas do inicio da Copa, Wolfgang Kreissl-Dörfler, deputado do Parlamento Europeu pelo Partido Social-democrata, o professor da UFRJ Dr. Carlos Vainer e o jornalista Juca Kfouri abordaram as diferentes perspectivas sobre o assunto que vem norteando debates, protestos e reflexões na sociedade brasileira desde o ano passado.

Kreissl-Dörfler, que trouxe na bagagem a experiência das Olimpíadas de Munique de 1972 e da Copa de 2006 na Alemanha, enfatizou que o povo deve ter mais participação na tomada de decisões do que ocorre ou ocorrerá nas suas comunidades, citou como exemplo, o caso de Munique e os jogos de inverno de 2022. Antes de a cidade lançar sua candidatura, houve um plebiscito e 60% da população votou contra a realização dos jogos.

– Ao prometer melhorias na infra-estrutura da cidade em conseqüência da realização do evento, as pessoas alegaram: “por que é preciso fazer as Olimpíadas para que se invista em infra-estrutura? Então façam isso sem os jogos!” Não deve haver decisão sem participação – disse Kreissl-Dörlfler.

Já o Prof. Dr. Vainer apresentou a teoria da cidade de exceção, dando exemplos de que os eventos esportivos e seus organizadores, como a Fifa e a COI, transformam a exceção em situação, como se vê nos vários exemplos que comprometem o desenvolvimento e a sustentabilidade das sociedades e economias locais. A remoção de cidadãos das suas casas para a construção de instalações cujos benefícios para a região são questionáveis, as restrições do comércio local durante a realização dos jogos e até o desrespeito à soberania nacional de um país (em que vistos de entrada são suspensos para estrangeiros que tenham qualquer relação com o evento) devem ser simplesmente aceitos pois fazem parte das regras dessas organizações?

Para fechar o debate, o jornalista Juca Kfouri disse que a Copa deixará dois legados para a sociedade brasileira. O primeiro dentro dos estádios e o segundo fora. O último será tenso, mas é o que vai valer. A sociedade reflete e exige mais do que se é feito dela pois está se dando conta de que a Copa é um grande negócio para quem a organiza, mas algo perigoso para as cidades que a recebem. A partir dessa consciência, haverá mais debates, reflexões e contestações. Ao mesmo tempo, o questionamento e as críticas em relação ao que se é feito da Copa não vão anular a brasilidade das pessoas e a alegria de torcer pelo país. Kfouri define que essa será uma copa da cidadania.

A conversa continua hoje (7) a partir das 14h na sala 100 do prédio novo da PUC-SP (Rua Monte Alegre, 984), com a mesa redonda Amigos e adversários do regime militar brasileiro na Alemanha e, às 19h30min, na sala 239, com a conferência Energia Nuclear no Brasil e na Alemanha: o Acordo Nuclear de 1976 em questão, em que Jürgen Trittin, deputado do Partido Verde Alemão, atual membro do Comitê de Assuntos Externos do Parlamento e ex-ministro do Meio Ambiente, Preservação da Natureza e Segurança Nuclear, o Prof. Dr. Leonam dos Santos Guimarães, da Fundação Armando Álvares Penteado, assessor da Eletrobras, e Capitão da Reserva da Marinha Brasileira, e Chico Whitaker, membro da Comissão de Justiça e Paz e da Coalizão Anti-Nuclear e co-fundador do Fórum Social Mundial encontram-se para debater o assunto. Venha fazer parte da conversa, a entrada é franca.

 

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